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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Anjo amado!!!

Estou sozinha. No peito, a angústia da solidão, vai marcando a cadencia do meu coração. Um soluço amargo aperta-me  a garganta como a estrangular-me. Como sempre, fujo para o lugar onde mais me encontro; praia deserta! Ando a ermo, mas por enquanto não me desnudo. Sinto porem, que preciso acalmar meu coração e ordenar minhas idéias. Sinto que meus coloridos e leves sonhos me escorrem entre os dedos... Procuro na difusa luz do luar, um pouco de claridade que possa servir de norte, para um caminho que não sei para onde me levará.
O ,mar está revolto, acho que ele se agita sob a influencia da minha presença.
Continuo a andar, o açoite do vento em meu corpo agredido não me machuca. Antes todas as agressões que eu viesse a sofrer, fossem como esses açoites, que ao invés de machucar tornam-me conscientes de minha presença no mundo.
            Busco um lugar onde possa aquietar meu corpo e meu espírito. Encontro quase à beira-mar, uma velha jangada largada. Sua cor a muito se foi, a vela está rasgada e resta-lhe apenas umas poucas tiras de pano velho e puído. Na lateral, uma frase escrita em letra sem muita firmeza, nem floreios; meu amor, eu te amo!Leio tudo com um olhar triste de quem envelheceu muito nas primeiras horas dessa noite. Sento-me no chão recostada na velha jangada e solidarizo-me com sua solidão. Imagino quantas noites ela foi lançada ao mar, por um intrépido pescador cheio de sonhos. Que na busca por seu sustento, singrava o mar numa aventura perigosa, mais necessária. Enquanto sonhava com sua amada, que em uma cama humilde, mas aconchegante o esperava para o amor!
            Essa noite é assim que me sinto, tal qual a velha jangada, sem cor e solitária. E tal qual o pescador eu me sinto  singrando as tormentas do meu coração.
            As lembranças de minha vida me vêm em turbilhão. Algumas eu não gostaria jamais de lembrar. Estas, no entanto, batem insistentemente na porta de minhas retinas, como a me mostrar meus eternos pecados.
            Penso então na solidão  de tantas coisas: a solidão do bravo pescador, numa noite sem luar. A solidão de um feto que está para ser expulso de um ventre, num terrível ato de aborto. Na solidão de uma boca sem alimento. A solidão de um velho mendigo que perambula pelas ruas. A solidão da solidão...
            Continuo meu calvário, meu peito se rompe, se abre em lembranças e pensamentos  que continuo querendo conter. Hoje, no entanto as comportas se rompem  e todas as minhas dores e desilusões se esvaem,  em forma de lágrimas.Agora, o soluço já não trava mais a garganta. Antes, desata o nó que amarrava minhas dores... Soluço alto, forte, sentido, doído!
Aos poucos meu peito acalma, percebo que minhas lágrimas escorrem para se encontrar com o mar. Fico feliz, serei parte dele!
            Agora, aliviada de toda essa dor, ando pela praia, mas ainda me resta um peso: a roupa. Desnudo-me e sou eu por inteira de novo!
Vagarei pela praia essa noite. Procurarei um sonho, um sonho que há muito se faz presente em minha vida: você!Te procurarei e esperarei em noites sem fim, sei que um dia virás.Tuas asas , deixarão de ser um sonho e serão para sempre meu refúgio!Te esperarei!


...e na longínqua noite em que tudo foi criado, foi escrito uma historia em que um dia um anjo me encontraria e comporia comigo todas as historias de sonho e de amor...


 fatinha, so fatinha



Um comentário:

  1. Te ler é como te olhar nos olhos. Alma cristalina e linda que me orgulha e que me faz a cada dia mais te admirar.

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